Minha segunda vivência com a bebida Ayahuasca - Quatro Estações | Autoconhecimento, evolução e consciência Minha segunda vivência com a bebida Ayahuasca - Quatro Estações | Autoconhecimento, evolução e consciência

Minha segunda vivência com a bebida Ayahuasca

Ritual do tambor - até onde teu SER te levar




A ayahuasca abala seus alicerces.

Hoje, aqui neste post, venho compartilhar minha segunda experiência com a bebida ayahyasca. Relato tudo o que senti, vi e aprendi. Vou tentar descrever o indescritível. Boa leitura.

Este post é apenas um compartilhar da minha experiência. Não vim dizer a ninguém para tomar ou não tomar. Tem certas precauções quanto a quem pode ou não tomar ayahuasca. Tomei e participei do evento em uma instituição devidamente em acordo com a legislação brasileira.

Antes da minha segunda experiência de expansão da consciência utilizando ayahuasca:

Na semana (antes do dia 16/12) eu estava sentindo que devia ir a algum lugar e logo pensei em ir assistir um trabalho de psicografia. Por fim, não deu pra ir, mas a sensação de ir a algum lugar continuou.

No sábado (16/12) de manhã, eu estava lendo sobre frequências das emoções, já que tudo é energia. Uma voz dentro de mim me guiou para pesquisar este assunto. Eu havia perguntado para mim mesma "o que são as emoções em nós que sentimos"? E a voz interior me disse "você não sente, você vibra". Por isso fui movida a ler este assunto.

Eu e meu companheiro de jornada conversando sobre isto, comentou que iria ter a noite o chá de ayahuasca no Instituto Xamânico Morada do Sol no espaço Monte Líbano e olhei no relógio e eram 11:11. Tudo na sincronicidade do universo. Na hora despertou em mim, uma atenção, não sei. Só sei que ao conferir o tema era RITUAL DO TAMBOR - ATÉ ONDE TEU SER TE LEVAR. Saiu da minha boca "eu vou"e fui logo separando a minha roupa e fazendo a malinha (com casaco e coberta). Eu não sabia porque estava fazendo isso, "que loucura ir lá novamente, o que eu estava pensando?" , mas não era eu, eu não tinha forças pra decidir nada, só seguir o fluxo. Meu corpo praticamente me levou até lá, não fui por vontade própria. Que louco isso. Situação esquisita.

Durante o dia me dava umas dores de barriga só de pensar, mas ainda assim eu não conseguia desistir e dizer que não ia. Passei pra deixar a minha filha nos meus amigos e comentei "gente, nem sei porque estou indo".

Chegando no local, fiquei muito em paz com tudo, gostei de tudo, me senti em casa, mas tinha uma preocupação como pano de fundo, mas tentei relaxar. Ainda não acreditava que estava lá de novo, eu tinha planejado expandir a consciência por outros meios e não utilizar mais do chá de ayahuasca.

Na fila, peguei um copinho de café e pedi pra moça encher só metade e quando tomei o gosto era uma borra de café bem amarga e barrenta, horrível. Bem diferente da primeira vez que tomei, tinha o gosto de quentão. Tomei água e fui para o colchonete. Fizemos oração particular, pedi para meus mentores e guias espirituais me ajudarem no processo. Ainda eu achava uma loucura ter tomado o chá novamente, mas tinha me movido até lá e tomado. Então me propus a aceitar tudo o que me fosse mostrado.

A vivência: 

Iniciou os cânticos, acenderam a fogueira e todas as pessoas silenciaram. Fiquei sentada com a coluna ereta e palmas das mãos virada para cima, fazendo ho'oponopono  e olhando para o fogo (a tarde em casa, eu escrevi em um papel tudo o que vejo de ruim e negativo em mim e queimei o papel no fogo e enquanto eu olhava para o fogo da fogueira eu pedia para o fogo queimar em mim todo o negativo e fazia ho'oponopono para a Divindade me purificar se assim fosse Sua vontade). Logo uma moça já levantou, a outra da frente sentou e começou a tocar o tamborzinho dela. Eu também queria me expressar no ritmo dos tambores, mas não tinha tambor e veio uma voz e disse "bate no joelho". Virei uma das palmas da mão para baixo e entrei no ritmo do tambor e eu era parte da expressão musical naquele momento. Os cânticos dos nativos gritando e fazendo sons incompreensíveis era como expressavam seu Ser aqui.

Meus joelhos começaram a dor, estiquei as pernas e me recusava a deitar e mais ainda a fechar os olhos, pois se eu fizesse isso eu não controlaria mais nada e eu tinha que ficar atenta e alerta para não sair fora de mim. Começou a me dar um sono incontrolável, a visão ficou turva e tive que deitar. Era como se uma mão desse leves toques na minha testa e foi me deitando lentamente.

Quando finalmente deitei, pensei "não quero fechar os olhos, era por isso que eu não queria mais vir aqui, já estou com essa sensação esquisita de novo". Eu piscava duro e pensei "nem sei porque vim aqui" e uma voz disse "eu que te trouxe. Tenho mais um trabalho para fazer em você". Eu disse " mais eu não quero passar mal de novo e dar trabalho (preocupar) os fiscais como da primeira vez ". E a voz disse "eu vou cuidar de você. Aquilo não vai mais acontecer de novo. Vem comigo". E eu confiei. Confiei inteiramente e me entreguei. Me rendi aquela força arrebatadora que estava ali me convidando a algo que eu não sabia o que era.

Vi uma mulher parada no topo da minha cabeça, agachada e me estendendo a mão direita. Ela tinha vestido de um véu fininho e esvoaçante, cabelo comprido trançado que caía por sobre o ombro direito. Ela sorria pra mim. Era a Ayahuasca. Neste momento, compreendi que a bebida ayahuasca era também uma consciência a serviço do bem maior. E ela é quem escolhe as pessoas, não as pessoas que a escolhe. Não estou no controle de nada aqui. Aceitar não estar no controle. Nunca estive. E isso é tão certo, deixar se levar.

Me sentia um galho preso na borda de um rio com correnteza forte. Quando me rendi a força, o galho (eu) desprendeu da borda e entrou na correnteza (força) e deixei o rio (Ayahuasca) me conduzir. E fui completamente arrebatada (nesta música - ouça aqui).

E aqui começou o momento mais incrível da minha existência humana. Perdi a percepção do eu. Me dissolvi. Eu não possuía mais corpo, identidade, desejos, preferências, vida pessoal, crenças, família e nada mais. E isso estava tão belo. Uma gota que se tornou um oceano.

Conforme a música cantava, cores fluorescentes se desenhavam na minha tela mental. Via muitas borboletas fluorescentes. Formas abstratas e pontos de luz fluorescentes se desenhavam como um equalizador acompanhando a música. Eu dizia " ah, que lindo, obrigada" e sentia muita gratidão pelo momento. Eu não possuía forma nenhuma, perdi a percepção do meu corpo por completo. Não estava em nenhum local. Eu estava onde sempre estive, no Tudo. E isso é a única realidade que existe (todas as realidades são uma só) e eu faço parte dela. O Todo. E as outras pessoas  e tudo mais o que eu via e o que não via, o universo inteiro também estava no mar. Também estavam nessa correnteza. Tudo ali estava na mesma correnteza. Sempre esteve. A plenitude que eu sentia, o êxtase de estar neste mar é indescritível.


Depois comecei a ver uma garota aparentando uns 12 anos, sentada no chão com os joelhos flexionados olhando por um vidro. Parecia um vidro de aquário embutido dentro da parede. Essa garota estava num quarto sem móveis, janela e porta. A cor era lilás. Estava meia luz. Ela estava lá, olhando para o vidro. E dentro desse vidro acontecia muita coisa. Percebi que eu acontecia dentro deste vidro. Tudo o que vivo aqui, está dentro deste vidro. Fiquei olhando para a garota que estava observando as coisas que aconteciam por trás do vidro e finalmente entendi que a garota era EU. Minha Alma, meu Ser, meu Eu Maior.

Após compreender isso, vi muitas bonequinhas. Eram aquelas bonequinhas russas, as matrioskas, que colocam uma dentro da outra. Tinham muitas e estavam todas enfileiradas por ordem de tamanho, da menor para a maior. Eram a cópia exata uma da outra. Entendi que quanto mais me elevo, quanto mais expando minha consciência, vou completando com a próxima maior até me tornar um ser completo.

Logo mais, eu via muito seres ali, via seres elementais e tinha uma fada muito linda perto de mim. Eles estavam trabalhando ali, iam de um lado para outro todos em silêncio.



Vi uma árvore grande parecida com o filme do avatar. Toda brilhante, vibrante e viva. Senti algum ser pegando uma parte do meu corpo e me plugando em alguma coisa. Me conectei (igual na foto ao lado). Quando senti a conexão falei "ela é real, isso existe". Senti uma enorme gratidão.




Veio um ser feminino que se agachou do meu lado. Eu estava deitada de lado (esquerdo) e ela estava com as mãos na direção do meu estômago. Eu via uma luz amarelinha circular brilhando na minha barriga. Quando eu ia perguntar, ela me respondeu "estou te curando". Eu disse "obrigada", sempre sentia muita gratidão por tudo aquilo. Esse ser tinha cores esverdeadas e aparência humana. Lembrava um pouco a fada que tinha visto.

Depois disto, do nada, meu corpo levantou, coloquei as sapatilhas e quando olhei para onde eu estava, já havia começado o bailado, antes mesmo de acabar a primeira rodada. Meu corpo me levou para bailar. Era estranho, pois me sentia muito leve. Olhei para o rosto do fiscal que sorriu pra mim e pensei "o que estou fazendo aqui? melhor ir deitar".

Várias vezes eu abria um pouco o olho e quando fechava eu era arrastada pela correnteza de amor, alegria e imensidão.

Perguntei para a Ayahuasca "porque você me trouxe aqui? " e ela disse "é hora de rasgar o véu". Então apareceu um véu roxo que rasgou de cima abaixo e por trás do véu o tempo sumiu ( eu já havia passado por essa experiência do "eterno agora"consciente em maio de 2017). A percepção do tempo sumiu, me vi fazendo teletransporte de um lugar para outro, e tive uma experiência rápida com visão remota: vi onde minha filha estava em tempo real sem estar presente lá. Eu disse "isso é real" (me referindo ao poder mental de telecinese, telepatia e etc). Ela disse "foram lhe dadas capacidades".  O sofrimento não existia. Simplesmente se dissolveu junto com meu eu (ego). Percebi que o sofrimento só existe porque não tem aceitação do fluxo. Toda vez que eu tentava criar uma pequena resistência com o que estava sendo me mostrado e trabalhado, ameaçava dar dor de barriga. Então eu aceitava entrar na correnteza e o sofrimento sumia. A chave para o fim do sofrimento é a aceitação. Não precisamos compreender para aceitar. Simplesmente aceitar, basta. Sofrimento, mais uma ilusão.


Também perguntei "o que significa o sonho com repolho picado que eu tive (tinha mesmo muito repolho picado, mesmo pra um restaurante árabe) e Ayahuasca me respondeu "é como você se vê". Eu "e como pode, eu tomei meio copinho de café e fui arrebatada mesmo assim, ou ter conseguido ser hipnotizada (fiz hipnose - ouça o áudio aqui) e ela me respondeu "você é uma filha boa. Não resite ao fluxo. Sempre se expressou bem". Nessa hora muitas memórias me saltaram a mente como um flash (memórias de momentos de eu tocando meu instrumento em várias ocasiões, outras de eu dançando na sala de casa sem ninguém, abraçando as pessoas etc).

Perguntei "e o que eu vi na minha hipnose, foi real?" e ela disse "sim, mas tenho muito mais pra te mostrar". Eu disse que já estava bom, mas ela sorria e dizia que eu podia e aguentava ver muito mais.

Então mergulhei num mar de amor infinito.

Eu me tornei o Ser. Sem forma, identidade, controle, pensamento. Isso é o que sou e quem eu sou.

Isso era tão certo. Nada mais tinha importância. Só me sentir parte do mar era estar completa. O Mar é minha casa. É onde estou agora e onde sempre estarei. Sem desejos, sem identidade, sem forma, sem história, sem mente. Só amor, alegria e imortalidade. Uma grandiosa festa eterna. Sentia o universo todo neste Mar. Senti Jesus, Buda, Osho todos mergulhados neste Mar.

Esse mar era tão colorido com cores fluorescentes, tinha todas as formas e sons existentes ali, mas era sem forma. Tudo está neste Mar. A música, os pássaros, plantas, animais e tudo tudo estava neste Mar. Esse Mar era puro amor. A Ayahuasca inclusive fazia parte do Mar. Ela me disse " isso é você. E tudo o que te disserem for diferente disto, não acredite".

Minha mente estava silenciosa, um vazio completamente cheio. Por um breve momento a mente disse "desse jeito você não vai conseguir voltar" e respondi "voltar pra onde? eu estou aqui, onde sempre estive". (Não tinha essa de voltar para o mundo real. O que minha mente quer dizer com real? O que posso ver?).

Quando fui voltando eu perguntava "agora vou dormir um pouco?" e ela respondia "ainda não. Vem de novo pra você não esquecer" e mergulhava novamente na correnteza e me dissolvia. Me dissolvi muitas e muitas vezes, passei a maior parte fora do ego, completamente mergulhada no meu Ser. Voltava e perguntava " agora? " e ela "você vai se lembrar disso?" e me puxava novamente para o Mar.

Ela me mostrou como eu era: uma filha perfeita. Perfeita e imortal. Sou a "criança". Pura. Estou aqui para me divertir e me expressar ( vinha muitos flashes de memória momentos de eu me divertindo. Uma verdadeira viagem no tempo, ou acesso aos meus arquivos akáshicos).

"Tudo isso é para as crianças se divertirem" ela dizia e eu observava as pessoas bailando em volta do fogo. A mente estava silenciosa, o coração completamente em paz.

Fui voltando aos poucos, extasiada. Em completo estado de plenitude e totalmente embevecida da vivência.

Percebi até mesmo que a busca é ilusão. Não é necessário buscar. Como você pode buscar algo que já é? Não existe verdade para ser encontrada. Assim que você joga fora todas as mentiras, a verdade se revela.

Buscar a verdade é igual um cachorro que corre atrás do próprio rabo. 

Teve um momento que eu sentia o vento me cutucando e ouvi "ouça o que o vento diz". Ele me disse "obrigado pelo seu amor". Mais lembranças me vinham dos momentos em que eu fechava os olhos, sentia o vento batendo no rosto e simplesmente amava a sensação (faço isso até hoje, não sei porque)... outros vários momentos de eu abrindo os braços e sentindo o vento passar por mim e sentindo amor pela sensação. Em todos esses momentos vividos por mim, eu estava amando o vento. Inconscientemente. 








Também vi lua, coruja, muitas estrelas, arco-íris, Shiva dançando e muitas borboletas. Era como uma colmeia, mas de borboletas. E eu já tinha sonhado com isso.

Foi uma experiência muito intensa. Muito mesmo. Nem sei se consegui descrever realmente tudo o que vi e como me senti, mas tentei descrever o máximo aqui tudo o que vivi nas poucas horas sob o efeito de chá de ayahuasca para expansão da consciência. 





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6 comentários

  1. Ual, que relato! Eu estou pensando em tomar, já ouvi falar, mas não me deu coragem ainda.

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    1. na hora certa você sente o chamado.

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  2. O gosto é trash!!!

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    1. Acho que depende. Da primeira vez que tomei tinha gosto de quentão. Já da segunda, tava trash mesmo rss

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  3. Nossa, surreal. Legal sua experiência.

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    1. Eu também gosto de saber a experiência dos outros, aprendo muito. Mas lembrando que a ayahuasca mostra o que tem dentro de você. É meditação full.

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